O Dualismo na Teologia Cristã

19-12-2011 18:01

RESENHA – Capítulo 2 – Antropologia Dualista como fundamento para uma teologia de Dominação do Outro na colonização católica da América

 

* Silair Garcia

 

O Dualismo na Teologia Cristã

Autor: Wanderley Rosa

Editora: Fonte Editorial (São Paulo)

Páginas: 210 p. Ano: 2010

 

    O livro oferece ao leitor uma visão clara sobre um assunto muitas vezes relegado ao esquecimento e outras tantas pelo desconhecimento da grande maioria de cristãos brasileiros, moderno-contemporâneos que, talvez pela falta no gosto pela leitura, ou por dificuldade na interpretação textual, simplesmente ignoram leituras com o tema abordado pelo autor.

    Rosa descortina em quatro capítulos o Dualismo na Teologia Cristã, demonstrando as conseqüências da deformação da antropologia bíblica, iniciando com o Dualismo antropológico platônico, falando sobre a gênese de tudo (p.19); seguindo em frente, traz o assunto para a antropologia dualista como fundamento para a teologia de dominação do outro na colonização católica da América (p. 55); logo em seguida nos mostra a matriz antropológica dualista como base teológica na implantação do protestantismo no Brasil (p. 78); encerrando com Espírito e Corpo – Unidade fundamental do ser humano na visão bíblica (p.155).

    Deteremo-nos, portanto, no capítulo 2 do livro, que trata da Antropologia dualista como fundamento para uma teologia de dominação do outro na colonização católica da América.

    O autor inicia o texto justificando a dominação e genocídio dos povos ameríndios e afros a partir da teologia dualista platônica. Usando de vários autores, Rosa estrutura o pensamento, formatando-o e esclarecendo como se dera o processo de colonização ameríndia feita pelos hispano-lusitanos.

    É demonstrada a legitimação teológica da dominação (p.56), que através de uma Bula papal, promulgada pelo Papa Nicolau V, o sumo pontífice outorga poderes ilimitados à toda e qualquer resistência por parte dos dominados.devendo-se usar de todos os meios necessários para subjugar e converter os povos não cristãos à fé católica.

    Rosa descreve também os métodos de dominação ético-cultural a que foram inculcados os habitantes das terras descobertas, usando dos chamados “descimentos” e “reduções”, prática de fazer descer tribos inteiras pelos rios e ajuntá-las em um mesmo local, facilitando a conversão, que, segundo o autor “...traduz bem o ideal missionário de se apagar a concepção de mundo desses povos [...] e embutir neles uma nova concepção de vida (nova cultura) oferecida pela fé católica.” (p.61).

    O autor traz ainda, no decorrer do capítulo, assuntos como a História dos Colonizadores (p.64), homens que se colocam como superiores simplesmente pelo fato dos conquistados “...não usarem letras...”, fato que levou historiadores positivistas entenderem que os povos que não tinham escrita não tinham história.

    Outros assuntos abordados por Rosa traz a História dos Outros (p.66), demonstrando a resistência de alguns dos povos subjugados. Fala também da teologia da escravidão (p.68) e deixa claro que “...tudo que importa é a lógica capitalista da acumulação de bens...” (p. 69).

    Chegando ao final do capítulo, o autor fala sobre a teologia da libertação – proposta teológico-pastoral de superação do dualismo (p,73). Concluindo o capítulo, Rosa entende que a antropologia dualista platônica sustentou a relação de dominação, escravização e morticínio na colonização européia da América Latina.

    Como o fulcro do trabalho foi o segundo capítulo do livro, não tínhamos como esclarecer um pouco melhor os demais capítulos, ficando o convite para a leitura completa da obra que, com certeza, se tornará texto padrão para estudiosos da teologia cristã.

 

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* Silair Garcia, Pastor da Igreja Metodista Wesleyana em Governador Valadares, Bacharel em Teologia pela Faculdade UNIDA de Vitória/ES, Licenciado em História pela UNIVALE – Universidade Vale do Rio Doce e Licenciado em Filosofia pela UFLA (Univerdidade Federal de Lavras).